4.9.12

Diários de uma bicicleta


Meu maior medo de chegar aqui na Holanda era a bicicleta. Já não sou muito jeitosa andando sobre dois pés, com meu centro de gravidade de sempre, bem conhecido e dominado, agora imaginem só como seria eu em cima de dois pneus fininhos como os das bicicletas daqui?

Eu nunca realmente aprendi com todas as letras a andar de bicicleta. Cheguei a andar com aquelas de pneus menores e grossinhos de criança que tira as rodinhas de apoio, sabe? Mas andava 5m pra lá, 5m pra cá. E só. Nunca fui capaz de dizer que “Nó, sou ótima ciclista” ou “Eu amo andar de bicicleta”.

Como aqui nos Países Baixos é tudo reto (ai, como eu sinto falta de subir e descer ladeira de BH, ver a Serra no fundo de todas as minhas paisagens...), a galera ama pedalar. Faça chuva, neve, gelo, calor, muito calor, de dia ou de noite, a única certeza é que eles estão de bike. E não só isso, é extremamente aconselhável andar de bike aqui. Ônibus é caro e não passa toda hora (até passa com certa frequência – e são bem pontuais, mas é caro), e é tudo “meio longe”. Pedalar reduz consideravelmente essas distâncias.

Eu tive que superar meu medo, porque meus irmãos daqui já não aguentavam mais me levar pra cidade de carona na bike. Haja perna! (nem vou contar como foram as primeiras caronas que eu peguei. Ok, vou sim)

Pausa pra carona:

A primeira carona que eu peguei foi com o Vini. Foi lindo começar a andar, facinho e sem estresse, certo? HAHAHAHA não! Eu sou desesperada. Descobri que detestava a sensação de estar em cima de um troço desses. Mas (meio que)  deu certo no final das contas. Depois eu peguei carona com o Sander, da Estônia. (não vou fazer todos os comentários que eu queria, mas ok). Consegui aproveitar o passeio e até fiz um filminho na segunda vez que andei de bike com ele. (num vou botar o filme por dois motivos: (a) é grande demais e cansativo. (b) eu não sei como vocês me aturam, minha voz é ridícula e eu pareço/sou retardada. Deve ser amor.) Mas ontem, eu e o Vini estávamos vindo pra casa, numa distância de poucos metros, estávamos com a Maria, da Romênia, e quando tentamos começar a andar... Caímos. Sério, foi uma queda linda. Caí sentada em cima da roda da bike, mas rimos bastante e não machuquei. Tentamos de novo e foi ok.

Retomando... Ontem os brasileiros da Saxion (outra universidade da cidade) foram comprar as bikes deles, e eu aproveitei pra comprar a minha. Tava pão dura no início, mas minha mãe me disse pra parar de ficar assim e seguir em frente. Paguei um pouco mais que os meninos, mas a minha “fiets” é linda, verde com azul. A Heloísa comprou uma quase igual, só que só azul. A gente chama elas de Gazelas (porque nós somos felizes e a marca delas é Gazelle).

A minha bike ficou pronta na hora e a Helo levou pra casa dela, onde tinha um parque que eu pude praticar. Não tive nenhuma queda, mas “quase quedas” foram muitas. Já tinha tentado andar aqui, o Pavel, que é búlgaro, me ensinou um pouco, então os meninos nem acharam tanta graça assim ontem.

A volta pra casa foi emocionante! Uns 6km, no escuro, e tendo que andar em linha reta! Tive mais umas quedinhas sem cair de verdade e descobri que não sei mesmo parar esse veículo lindinho. Só quem não tá gostando dessa brincadeira é minha panturrilha que tá toda roxa, devido aos esbarrões que eu dou nos pedais com ela.

Hoje fui pra aula de bike, e quando tem um obstáculo que eu tenha que desviar (tipo pessoas ou uns postes ou cancelas ou outras bikes), não sei lidar. Daí eu normalmente desço da bicicleta e empurro. Mas fui tentar passar entre dois postes baixinhos, ao voltar pra casa e... quase causei um acidente. Também não caí, mas quase fiz um cara que tava de bike bater em mim. No final, deu certo.

3.9.12

Querida, cheguei! [Parte 2 - trens, muita mala e cansaço extremo]



A gente tinha combinado com a Uni, eu, Fred e Vinícius, de sermos apanhados no Ponto de Encontro do Aeroporto para o vôo de 17h05, que o Vinícius viria. Iria um cara ajudar a gente a pegar o trem e pegar as chaves do apartamento, já que eu e Fred vamos ficar na Universidade. O Vinícius só desembarcou mesmo umas 18h30, e até então nada da pessoa encarregada da Uni aparecer com a bandeira/placa procurando a gente... Esperamos até às 19h30. Quando a AVENTURA começou. Pra situar: minha humilde mala tinha 36kg. Minhas malas de mão, juntas, devem ter uns 15. Não tô exagerando. Eu sei... nunca leve mais do que você pode carregar, mas eu tô vindo pra ficar um ano, então isso não vale, né? Então sintam o drama: 3 brasileiros, tentando ir de Amsterdã pra Enschede, de trem. Só que nao era só um trem. A gente tinha que trocar de trem 3 vezes. Pegamos 4 trens e no final foram 5 horas de viagem. DE-LÍ-CIA. Primeiro trem foi ok. Tava vazio, botamos as malas todas no banco e tudo tava dando certo (ok, não pela parte de que a gente NÃO sabia como pegaríamos as chaves de casa ou como chegaríamos na Uni).



Segundo trem: o desespero começou. Não sei o porquê, mas o trem tava superlotado. Sério, de não dar pra passar entre os vagões de tanta gente em pé. Me lembrei do amado 2004 no horário do rush e de uma certa viagem de volta de Berlim, com a Joh. Foi bem aquilo mesmo. A única diferença era que em Berlim estávamos com pouca bagagem e no 2004, por maior que fosse nossa mochila, ainda era só uma. Dessa vez não. Nós carregávamos 5 malas mais mil mochilas, durante 1 hora, mais ou menos. Durante toda a viagem em todos os trens, fica alguém falando as estações e possíveis conexões e por qual lado desce em cada estação e em alguns casos outras coisas que eu não posso contar porque nao faço a menor idéia do que seja, porque o cara falava tudo em Holandês.



É essa história de que na Holanda (ou Países Baixos, porque Holanda mesmo só a parte da costa do país é) todos são bilíngues e com inglês só dá pra se virar muito bem parece balela. Fomos perguntar pros holandeses se a estação que a gente ia parar era a estação que a gente queria descer e... eles não entenderam, não responderam em inglês e foram muito solícitos tentando ajudar. No final a gente acabou perdendo a conexão, porque somos um pouco lerdos e tal. Esperamos por mais meia hora o próximo trem. Olha o cachorrinho no segundo trem, que coisa fofa (cê paga uma tarifa especial pra carregar bicicleta ou cachorro no trem, mas é permitido)



No terceiro trem a gente achou que ia ser de boa, entramos na cabine e botamos a mala nos bancos, como fizemos no primeiro. De repente o trem ficou lotado e a gente resolveu sair dali e ir pra onde desse pra deixar as malas em pé e acabamos espremidos durante mais 40 minutos. Já era muito tarde e estávamos muito cansados, mas correu tudo bem nessa etapa.

O último trem foi vazio, mas a gente preferiu ficar perto da porta pra ficar mais confortável. Só que eu ainda não fazia ideia de onde pegar as chaves do meu quarto. Ainda bem que aqui é um mundo digievoluído e tem internet de grátis no trem. (Leandro, esse é seu desafio!) Aí entrei no Facebook e perguntei no grupo da universidade o que fazer. E aproveitei pra fazer meu plano B, que seria ir pra casa da Ari. Algum espírito bom falou o que fazer, então pegamos um taxi da estação até a universidade e chegamos no meu ap. A Vivi mora no mesmo ap que eu, então eu e Fred deixamos as coisas no quarto dela pra conseguir pegar nossas chaves. Tava frio, já era meia noite, estávamos com fome e sem blusa de frio. E... ficamos perdidos no campus.

É um campus enorme o da UT. Parece com o da UFMG, mas maior. Eu moro aqui dentro do campus. Tem um milhão de moradias e mais tantos prédios de aula. Mil campos de futebol, lagos, floresta e... um hotel.

Então a Vivi, que estava aqui a um dia a mais que a gente ia guiar a gente, mas ficou perdida pra chegar no prédio que a gente precisava ir, e então ficamos dando uma volta, até chegar lá. Chegamos onde as nossas chaves deveriam estar e pegamos (não sem antes o segurança dizer que não tinha achado as chaves e a gente ter entrado levemente em desespero).

Cheguei no meu imenso quarto de 5.6 metros quadrados (viu mãe, descobri que ele tem 2X2.8m). Despois escrevo outro post sobre o quarto e a casa. Finalmente fui capaz de dormir, por 6 horas, pra começar a semana de introdução, muita burocracia, festa e falta de internet.

26.8.12

Querida, cheguei! [Parte 1 - a confusão não tinha começado ainda]


Hoje pra mim é ontem e comecei a escrever durante o vôo de Lisboa-Amesterdão. Desculpem pela incoerência, nem lerei de novo. (Menti, vou ler sim, mas só pra evitar erros absurdos)

Primeiro quero protestar sobre meu excesso de bagagem: divergência de balança! Dois quilos, sério? [que ódio de ter deixado meu secador pra trás!] Foi bom pra distrair do fato de eu estar indo morar sozinha do outro lado do oceano. E resolvido o problema da mala era tempo de... despedida. Muitas pessoas, todas muito queridas, dividindo a minha última hora de Brasil até dezembro. Fiquei muito feliz. Achei lindo!

E, depois dessa linda comitiva familiar me levar até a sala de embarque, em que não passei nem um segundo a mais do necessário, leia-se entrei e chamaram o vôo, eu embarquei e viajei num desconfortabilíssimo avião ao lado de um suíço ultra simpático, meio cego, que precisou da minha ajuda pra algumas coisas relacionadas a comidas 'de-li-ci-o-sas', apaixonado pelo povo Brasileiro, por forró e pela língua portuguesa, encontrei meu parceiro sem fronteiras, o Fred. A gente desceu em Lisboa uns 20 minutos antes do esperado e, como teríamos 1h exata até o embarque para AMESTERDÃO, esse adiantamento nos dava um certo alívio. Só que não. Português tá acostumado com as coisas atrasarem, pelo visto. Chegamos ao aeroporto antes e tivemos que esperar quase meia hora até conseguirmos desembarcar. Não desembarcamos no chão e não tivemos que pegar ônibus pra chegar ao terminal de embarque, como havia sido avisada que poderia ocorrer. Furamos fila do passaporte porque estávamos com 40 minutos para passar pela revista e pela imigração antes do vôo decolar (a gente assim achava).

==> Nota: Não sei se todos sabem, mas europeu adora uma moeda. Sério, quando viajei pra cá em 2011, eu não tava ligada na parada que tanta moeda era tanto dinheiro. Acabei voltando com um quantia considerável de moedas (porque no Brasil moeda vai pro cofrinho e só completa passagem de ônibus). Aí trouxe minhas riquezas em euros numa bolsinha.

Voltando... na revista, minha bolsinha de euros foi considerada um corpo estranho e os portugueses, de um jeito beeeeeeeeeeeeeeem simpático  e educado tiraram TUDO (cês não entenderam: TUUUDO) da minha bolsa de pano e repassaram ela no raio X pra ver que nao tinha nada na bolsa. Enfim, uns 5 minutos de angústia pra quem tinha menos de 15 para chegar no vôo que...atrasou. Decolamos umas meia hora atrados. E o avião é infinitamente mais confortável (pelo menos o assento é mais macio e tem mais espaço pra perna) que aquele em que passei 10h.

O estranho de atravessar o oceano pro futuro, é que a vida encurta né? Saí do Brasil eram umas 21h (o avião sobe atééé Natal/Fortaleza e só depois vai pro oceano). Cheguei em Portugal era 6h, mas só tinham passado 5 horas. Perdi 4 horas do meu dia. Daí até Amsterdã perdi mais uma. Não tô com muito sono (ainda) porque acho que a adrenalina não deixou isso acontecer. Mas essa noite dormi muito mal durante as duas horas em que tentei.

==>Nota: Essa parte é pro meu pai, que me torrou a paciência sobre a minha frescuragem com comida (e olha que eu não sou assim tao fresca. Até reclamo, mas como tudo, infelizmente).

Sobreviver 15 horas com comida de avião é pedreira, viu. Acho que, mesmo sendo filha de dono de padaria, nunca comi tanto pão num período tão pequeno. Jantar e os dois cafés da manhã com muito pão. Ótimo jeito de não engordar na Europa, certo? Pelo menos dessa vez não foi uma janta tão agressiva ao estômago; sente só o cardápio, a parte dos dois pães: Arroz, salada (meia folha de alface, meia fatia de tomate, duas fatias de palmito e UMA azeitona), frango e angu. Eu não gosto de angu, definitivamente, então não comi ele. Delícia de janta né? No café da manhã foram mais dois pães e depois um sanduíche de pão de forma seco com presunto e queijo e um pão doce. Sério, overdose de pão (ruim).

Protesto número 2: é absurdamente mais fácil entender português falando inglês do que eles tentando falar português. Na real, não parece nem a mesma língua. Uma palavra que eu detestei em particular quando a aeromoça falava: exceção|cinto. Transcrevendo o que eu ouço de Português falando: ECHEÇÃO|CHINTO. Bah, achei horrível.

Chegamos atrasados em Schiphol, por causa da chuva. (querem apostar como eu vou logo logo fazer um post sobre como chove nesse país?) Aí quando a gente pegou as malas, o Gui (um amigo que tá Sem Fronteiras que nem eu) tava chegando aqui. Decidimos esperá-lo (já tinha esse plano, fiz até plaquinha pra ele) e nessa brincadeira virou 14h. A gente tinha combinado com os brasileiros de Amsterdã que encontraríamos eles num ponto central daqui, porém precisávamos almoçar e quando checamos o preço do ticket de ida e volta de trem pro local combinado, consideramos que nao valeria a pena. A gente ficaria 2h no lugar (considerando muitas coisas que a gente "achava") e pagaríamos uns 10 euros pra transporte. Optamos por não ir. Tomando um chá ca-bu-lo-so de aeroporto.

Protesto número 3: lembra quando eu disse que português tava acostumado com atrasos? O vôo do meu amigo que era pra chegar as 17h, chegará às 18h. Isso significa que poderíamos ter passeado mais na cidade e talvez os euros valessem a pena.

=> Nota: Tô morrendo de medo de gastar muitos dinheiros nesse primeiro mês, não me julguem pela pão duragem.

Tirando o sono, o cansaço, a sujeira, e o chá de Schiphol, tá sendo bacana. E não, ainda nao deu pra sentir que eu tô aqui pra ficar muito tempo. Não, não caiu a minha ficha ainda. Tô falando mais português que inglês, almocei um Burger King (projeto inverno magra tá indo de vento em polpa, ao contrário) e tirando o povo holandês e toda a bizarrice a eles intrinseca, aeroporto é tudo igual. (menti, aqui eles falam no microfone em holandês; o supermercado é em holandês. De fato é mais complicado fazer compras, adivinhar sabores e entender precisamente o que é cada coisa, mas não é tão desesperador quanto eu pensei que seria.)

P.S. escrito antes do Vinícius se juntar a nós. Postado de um TREM. (desses que anda mesmo, né trem de mineiro não)


16.8.12

10

10 dias, uma mala, algumas despedidas e muita burocracia. São o que há entre mim e várias tulipas. E decorridos 10 dias sobrarão saudades, dúvidas e o sonho. Sonho de morar fora, sozinha e de Europa. Tudo junto e misturado. E em Holandês.




E posto só porque 10 dias é assustadoramente perto. E esse sono não vem pra eu dormir e faltarem 9 dias.

3.8.12

The blog rises AGAIN

Hoje volto com o blog, faltando uns 20 dias pra embarcar pro intercâmbio pra Holanda. Todos sabem, só falo disso, mas como era de se esperar, a ficha não cai. Não adianta, já vi a ordem de pagamento, o meu contracheque, mas a crença pra saber que sou eu que estou indo, cadê?
Hoje volto com o blog, porque hoje senti um golpe de "ainda bem que eu tô saindo daqui". Tava meio aérea essas duas últimas semanas, assentimental, só no corpo. A alma tava passeando e se esbaldando em alegria, mas tava meio desconectada, não sei se vocês conseguem entender... eu tava completa, mas o sentimento tava pairando no ar... sempre ali, só que não. Ah, não dá pra explicar, enfim, hoje senti uma vontade louca de entrar no avião e fazer com que todos sintam a minha falta (ou não, e nesse caso ia ser melhor estar longe pra ver que não faço diferença).
Hoje não quero me despedir de ninguém, just pack my belongings and leave. Daí eu páro, penso e quero dar um abraço em quase todo mundo e levar cada um num potinho junto pra eu não ficar sozinha.
Balanço final da noite: estou dramática até a última ponta do fio de cabelo. E com muita vontade de sumir. E com a minha primeira crise antes da viagem (tava demorando).

20.9.11

(desabafo)

se tem uma coisa que me incomoda é o silêncio. poucas vezes eu quero (e consigo) o silêncio. por isso eu não sou boa pra várias coisas, como concentrar e meditar. adoro quem fala comigo. adoro falar. adoro música. claro que tem coisa pior que o silêncio: barulho. barulho irrita, enquanto o silêncio só incomoda. então eu quero o silêncio quando tem barulho. mas barulho que irrita, que fique claro.
o silêncio incomoda por vários motivos. um deles é que me força a me ouvir. nesse sentido, sou bastante "paia" (por não encontrar melhor palavra): forço todo mundo (ou quase) a sofrer comigo. porque minha voz é chata, porque meus assuntos são chatos, porque várias coisas. outro motivo é que é a ausência de palavras, assunto e, por vezes, interesse.
sim, sei contemplar aqueles momentos de silêncio voluntarioso, que é quando o silêncio diz mais que as palavras conseguiriam. eu sinto muito isso. mas ainda esse me incomoda.
sei dar valor ao abraço calado, ao choro sem ruído, à felicidade silenciosa estampada algumas vezes num simples sorriso.
não generalizo, então, nem o fato de o silêncio me incomodar.
mas é que tem silêncios atuais que tão me abafando. me querendo fazer o silêncio sem sentido, que é só pra incomodar. e eu tô sem lugar, porque quero quebrar o silêncio ao mesmo tempo que quero o silêncio - desde que ele seja total e definitivo.


eu tenho certo amor pelo rompimento. quero dizer que comigo é sempre assim. ou oito ou oitenta. eu estou presente demais ou ausente. nunca consigo dosar e ficar ali por perto sem estar demais. eu preciso mudar mas não quero consigo.


esse é um que se eu não publicar, não adianta nada ter escrito. tô pelo menos tentando acabar com meu silêncio.

6.9.11

Das Murmeln

Frau Hasenfuß kam abends spät erst ins Hotel. Sie öffnete die Zimmertür und machte Licht. Ein fremder Mann lag auf ihrem Bett. Zuerst war sie erschrocken über die Begleitung. Nachdem sie sich vom Schrecken erholt hatte, sah sie dass der Mann eine Maske trug. Mag ja sein, dass sie neugierig auf die Situation war, aber sie war taub vor Angst. Plötzlich stand der Mann, der kein Hemd trug, neben das Bett auf. Trotz des stärken Instinkts zum rennen, blieb sie vor der Tür. Als sie sich langsam drehte, hörte die Frau ein dauerndes Murmeln in dem Schrank. Augenblicklich nahm der Mann an ihren Arm, damit sie sich beruhigte. Dann konnte sie bermerken, dass der Mann einigermaßen bekannt war. Der Mann war auch gut aussend und angenehm. Er fing an mit ihr über alle Themen zu reden. Während der Unterhaltung fragte sie, was war das Murmeln, das sie früher hörte. Er sagte, dass sie den Schranktür öffnen musste um das zu herausfinden. Als sie die Schranktür aufmachte, wachte sie auf ihrem Bett auf. Sie dachte, dass alles ein Traum sei und entspannte sich. Aus heiterem Himmel war sie aufgestanden. Dann sah sie die Maske und den unbekannten Mann, die auf ihrem Bett auflagen.




Meu professor quer me fazer ter fluência no alemão, pelo visto. Mas eu sou criativa até o útimo fio de cabelo, daí sai essa coisa aí. Meu suspense fajuto. Combina comigo. haha

Na ausência de um título, fico melhor sem.

Erick, talvez eu saiba o motivo de tantos pontos nos meus textos (sempre tem, não é só nas postagens do blog): espero a interação do ouvinte. Mentalmente, galera, mentalmente. Do tipo que se eu ficar colocando um monte de conectivos, conjunções e palavras bonitas que dão uma unidade no conjunto, o texto fica parecendo um texto. É, a minha intenção sempre é um texto, mas eu penso desconexo, tento conectar e parece forçado. Não forço a pontuação, pelo contrário, forço a construção de períodos mais complexos e sempre que eu tento acaba dessa maneira torta, parecendo texto dos outros, montagem de alguém (ainda que a qualidade não seja algo refinado).
Enfim, vocês me entenderam. (espero que)

Ah, preciso dizer que eu simplesmente adoro o fato de "empilhar" o um monte de verbo e o português, além de ter sentido, estar correto. (ainda que eu escreva errado, uma construção com um monte de verbo ainda parece ser certa) Tenso é só quando eu esqueço de trocar a chave pro alemão e fico colocando os "continuous tenses", como se existissem na forma simples que existem aqui e no inglês. Eu sempre adorei o gerúndio (sem estar confundindo com essa linda invenção - de alguém muito inventivo - MESMO).
Eu espero que todo mundo tenha aquele tipo de fobia besta. Aquele que você não sabe porque existe e é inofensiva. E boba também. Que nem eu tenho de falar no telefone. É medo mesmo. Nunca gostei. Com desconhecidos é ainda pior.
Hoje tive que resolver um problema do login no sistema do estágio. Por telefone. Na hora que o supervisor viu que ele não conseguiria ajudar, disse o ramal e mandou me virar. Quem se virou primeiro foi meu estômago. Fiquei com as mãos geladas e engoli seco. Quando o atendente atendeu a chamada, outro salto dentro de mim. Não sei como falar, me apresentar, o que esperar, entre outras várias perguntas que aparecem pra mim. Fora isso, eu fico com a voz falha, bem fraquinha. Como se eu falasse baixo e fosse do tipo bem meiga mesmo. Chegaria a ser hilário, se não me sentisse tão... estranha. Fico tímida mesmo, é incrível.
Mas ando tentando acabar [ou ignorar] esse mal estar e superar essa fobia boba. Pelo menos com estranhos.
Tem amigos que eu ainda evito ligar. Prefiro mandar mensagem. Meu raciocínio é simplesmente o de evitar incomodar, a mensagem lê quem quer na hora que desocupar. Se eu ligar e a pessoa não atender não sei se ligo de novo, talvez a pessoa não tenha escutado. Mas e se ela tiver me ignorado? (daí, aquele gatilho dispara uma sequencia autodepreciativa... e eu tenho evitado essa fadiga)
Eu sei, eu preciso mesmo fazer análise. Mas preciso antes querer, perceber que vai fazer algum efeito. Afinal, depois de quase 23 anos convivendo comigo mesma, consigo reconhecer que eu tenho que querer muito pra fazer alguma coisa.  Preciso acreditar. (no efeito, no sucesso e em mim)


Hoje eu tô assim: imendando um assunto no outro. Cortei o pensamento antes de ele me levar pra outro lugar e o post ficar ainda mais confuso do que ele já é.

7.8.11

Eumeboicoto

Eumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoeumeboicotoe.