28.1.11

Da avenca partida e sonolenta

"(...)Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor,(...)"  Caio Fernando Abreu, Para uma avenca partida


Acho, então, que eu te projetei bem demais, melhor. Foi bom, porque fui despindo aos poucos essa imagem que eu atrevo a dizer que amei. Então desamar ficou fácil, porque exigi mesmo mais do que você real poderia corresponder. Foi bom também porque amar alguém realmente bom é mais fácil e amei talvez quando começaram as imperfeições. Até que tornaram claras as minhas projeções e você se tornou só você: uma coisa doída.

25.1.11

Colônia e Luxemburgo

Vou postar especialmente pra essas duas cidades e não postei para as outras maiores que eu visitei, Berlim e Paris, por um simples motivo: as duas últimas apenas corresponderam as minhas expectativas, enquanto as outras duas superaram positivamente qualquer coisa que eu esperasse.

Colônia é a quarta maior cidade da Alemanha. Minha tia havia me dito que a cidade é lindinha e como sobrou um fim de semana (que dó que nao deu pra ir a Praga) resolvi ir lá. Primeira surpresa da viagem: a companhia. A Joh precisou de umas férias de mim. Três semanas ininterruptas convivendo comigo, só quem viveu sabe o quanto é... complexo. Falo demais, pra início de conversa (como quaisquer cinco minutos na minha presença podem confirmar). Sou chata demais, bagunceira, e por aí vai. Voltando a companhia. A Joh me abandonou e eu precisei de uma nova amizade (odeio viajar sozinha), a qual a Joh me emprestou a Lud!

Mineira, de BH, faz direito e mora aqui no prédio ao lado. Foi ótima a companheira de viagem, fez ficar ainda melhor.

Aqui na Alemanha, quando estamos vários brasileiros empolgadamente conversando, existe certo numero de alemãos que nos observam com olhar de MUITA curiosidade. Me sinto um Mico-Leão-Dourado no zoológico (ou talvez um Bugio - que é ainda mais estranho) de tanto que o povo observa. Eles simplesmente nao tem noção da nossa língua. Zero. A caminho de Colônia, uma família alemã muito nos observava com olhares atentos durante... duas horas. Até que a mãe teve a brilhante idéia de nos oferecer chicletes e abriu caminho pra filha perguntar nossa Sprache.

Depois, quando quase em Colônia (Köln em alemão, tão bonitinho) uma mexicana veio perguntar em portunhol (segundo ela mesma) se a gente tava falando em português, que ela sabia falar português, que ela tava indo visitar uns amigos em Colonia, que a Kölsch (cerveja típica de lá - provei e não é boa) era a melhor cerveja que ela tinha bebido - você supostamente fica mais bêbado com ela - que os amigos dela eram brasileiros curitibanos. Pausa para um parêntese (outro): a gente a essa altura achava que ela tava de intercâmbio pela faculdade, que era novinha, mas tinha seus 19 anos e esperamos um BRASILEIRO como os daqui de Saarbrücken, altos, loiros, conversados e extrovertidos. Fim da pausa. Ela mencionou depois de muito falar que era do Rotary - no que eu pensei : novinha. Foi nossa guia turística por, sei lá, meia hora. Nos falou a história da Catedral e da ponte e nos apresentou o amigo. Nota mental: pigmeu convencido e pirralho.

Deixamos nossas coisas na estação e fomos no museu do Ludwig. AAAAHHH, Andy Warhol, Picasso, Dali, Duchamp, Matisse, Mondrian tudo num só lugar. Achei fantástico, fiquei muitíssimo feliz.



Depois de tirar muitas fotos com um crachá de imprensa, fomos pro hostel ver mais um cara bonito que trabalha em hostel. Lindos sempre.

Decidimos ir pra Cidade Velha sair um pouco, aproveitar a noite. Procuramos indefinidamente um bar e encontramos afortunadamente um de Jazz. Papa Joe's MÓ LEGAL! Sério, sou bem eclética musicalmente, mas jazz sempre me agradou muito. Ficamos ouvindo uma banda de jazz de velhinhos (nhon nhon), gravei inutilmente uma música (minha camera misteriosamente deu pau).

[vimos no caminho o ensaio de uma banda de carnaval no meio da rua, também gravei, também inutilmente]

Depois de bebermos uma Kölsch cara pra provar, saímos do bar linduxo e fomos comer: pizza, deliciosa, andando a caminho da estação de metrô para voltarmos pra casa.

No dia seguinte fomos num escritório da Gestapo que servia de prisão para os contra-Hitler. Cabuloso, posso dizer em uma palavra. Angustiante de um jeito que eu aposto que a Joh ia sentir assim também. Achei muito foda e não tinha ouvido ninguém falar desse museu. Depois fomos na Catedral de verdade, subimos, inclusive, 527 degraus. CONTADOS. Desesperadores. Em caracol. Morremos, foi lindo lá em cima. Vimos a Ponte, tiramos fotos de uma cor muito bonita e com cara de cansadas.
Tínhamos meia hora, então entramos de novo no museu do Ludwig, que tinha fechado antes de a gente conseguir ver tudo. Vimos e faltando OITO minutos corremos pra estação, que thanks god era perto. Deu tempo e cansadas ficamos quatro horas no trem.

Luxemburgo em poucas palaveras: pequenininha, como o seu país. A língua? Bom, luxemburgueses(?) são criativos: falam inglês, alemão e francês TUDOMISTURADO. Dá pra ver claramente a mistura. A cidade é lindinha, tem um contraste cabuloso entre a parte velha e a nova e dá pra ver tudo em um dia, mas recomendo no verão/primavera que aproveita-se mais o parque que fica na baixada da cidade. Quando eu fui chovia muito, acabei não descendo, só admirando o vale de cima mesmo (e já compensou).

Lá em Luxemburgo um velhinho (nhon nhon) veio me indicar lugares pra ir (em francês). Gastei mais uma vez, como em Paris o meu francês (cof cof): Je ne parle pas Français. E ele começou a falar num inglês que tava mais pra Luxemburguês. Mas foi tão bonitinho!

Tinha também um policial que me divertiu durante uns... quinze minutos sem exagero (descobri que esses guardinhas de Luxemburgo divertiram também a Joh quando ela foi). O jeito de ele caminhar era ótimo! Andei no ritmo imposto pelo salto barulhento da bota dele secretamente e me diverti horrores.

Foi uma viagem muito gostosa que eu quase nem percebi que estava sozinha, a parte de eu ter esquecido de comer e ter ficado em silêncio (ou quase isso, porque eu também falo sozinha) a maior parte do tempo. Curti.

13.1.11

Balanço

Paris estava como prometia: quentinha, chuvosa e linda, claro! Com a decepção da não-viagem a Praga, tive que tentar pensar numa coisa pra fazer. EU SOU PÉSSIMA com decisões rápidas. PÉSSIMA. Não gosto de viajar sozinha também. Sei lá, fui a Trier e não curti muito não. Dependo de pessoas demais, sabem? Mas acabei me decidindo e tenho uma idéia que tentarei por em execução. A Lud, que também é belorizontina, talvez vá comigo. Mesmo se ela não for, tô querendo ir. Bom, já posso dizer que a noite de Saarbrücken é muito boa.
Acreditem, eu gosto de bar, e eu descobri que eu gosto de Heimbar, que é um misto entre bar e boate.
Bom, vou no supermercado rapídinho, comprar algo pra jantar e pão pro café da manhã.
Tschüss

5.1.11

De cá

É incrível (ou talvez crível) como eu não tenho tido idéias apesar de ter pensado em muitas coisas pra dizer aqui. É que acontece muita coisa e eu ando meio cheia de vida pra conseguir transmitir tudo aquilo que eu penso e sinto (por melhor que eu tenha desenvolvido essa maravilha de habilidade - a de transformar sentimentos em palavras- é bem útil. acreditem). Não reclamo nem um pouco da falta de tempo e de ardor por escrever aqui, que tinha se tornado um depósito de fugas. Como nao preciso fugir, fica bem mais fácil não precisar postar e até hoje mais cedo nao tinha pensado nisso. Foi quando, ouvindo Iron and Wine, visitando Saarbrücken, que deu a primeira vontade do ano. Chegada em casa, a Joh fala a mesma coisa. Posto, então, por desencargo de consciencia. Sei que poucas pessoas (se é que alguma) ainda leem esse local na web de coisas só minhas públicas, e sinto que devo uma explicação (!!) praqueles que ficaram ansiosos por notícias (!!!).

Berlim foi, em uma palavra: Frio. Ao mesmo tempo que foi lindo. E aquela ficha que nao queria cair pq faltavam poucos dias para a minha chegada ainda não caiu pra minha estadia.

Sinto diferente, tudo: o ar, os gostos, os cheiros, a companhia, mas nao a cidade em volta, embora a paisagem seja tão branca... (L)

Paris me aguarda amanhã, menos fria, mais chuvosa, pra me lembrar ainda mais uma Belo Horizonte que já não fora inspirada naquela me espera.

Aufwiedersehen.

26.12.10

Adieu

Parece até brincadeira... Primeiro: NEVASCAS aterrorizaram o meu destino. Temporariamente resolvido esse problema,  ameaça de  GREVE dos aeroviários ameaçaram meu querido passeio. Hoje, volta o medo das nevascas. Espero que amanhã, quando me lançarei ao encontro da Joh, não haja qualquer resquício de coisa que me impeça de alcançar terras germânicas e me jogar num abraço grande que eu sei que me espera (ainda que mais fofinho que eu me lembre).
Que meu guia turístico da Alemanha sirva para eu ficar menos perdida na minha aventura. Que eu ache muitos Wallys no meu novo livro/distração.  Que eu só precise dos 2000 verbetes que existem no meu dicionário alemao-portugues/portugues-alemão.
Se der tudo certo, a proxima postagem já será acompanhada de uma bolotinha brasileira, na terra do rio Saar.

20.12.10

O medo da neve

Queria tanto que essa semana chegasse,  ei-la aqui. Com ela, o noticiário (e as notícias de lá) não tão animadores: aeroportos fechados, voos cancelados, neve, muita muita muita neve. Embarco na aventura dia 26, e devo chegar a Frankfurt dia 27, logo pela manhã. E para o início de minhas preocupações a possibilidade de um aeroporto fechado.
Meu medo é que estando tão perto do dia 31, não alcance Saarbrücken  e sua querida moradora a tempo de outra aventura: um voo de lá para Berlim, dia 29 e acabar comemorando meu Reveillon no estilo Tom Hanks: O Terminal. Água gasosa e pessoas desconhecidas ao invés do meu - delicioso - destino, o Brandenburger Tor. Quero chegar lindamente e sem maiores preocupações a meu destino, qualquer que ele seja. Que a neve seja decoração, e que sirva para a diversão. Pra fazer muitos bonecos de neve, anjinhos na neve, guerrinha e que ainda que meu pé afunde, com uma bota não tão preparada para a quantidade de neve, em várias caminhadas noturnas, a neve não passe disso. Pra deixar tudo mais branco e com mais cara de  Europa. 

16.12.10

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There are somethings I'd like to say, somethings I'd like to do, but somehow I didn't and somehow I can't.

13.12.10

Corrida - contra o tempo

Eu ainda nao sei como a ficha NÃO caiu. Mesmo. Daqui a duas semanas tem o Natal. Que na minha vidinha é coadjuvante, me desculpem. Como não pensar nos aeroportos enevados de lá, os chuvosos daqui e o tal caos aéreo? Não pensando na viagem. Como eu dou conta? Bem, minha mala tá no quarto, tem quase um mês. Tá aberta, aceitando "doações" de roupas de frio. E como tem roupa de frio. Faltam as coisas mais básicas: calças, sapatos, meias, blusas (normais), mas de blusa de frio tá cheia. Cachecóis também habitam a mala. Passagem comprada, não dá pra fazer check in on line. Passaporte, seguro, tá tudo certo. Me falta a praticidade, mas tô evitando. Tenho amanhã e depois reunioes importantes, o que adia pra quarta a busca pela praticidade.Ouvir da minha mãe que tá chegando não me deixa mais feliz. Mas também não me preocupo, se penso, dá um gelo na barriga. E se der alguma coisa errado? Se eu levar coisa que não pode? Ah... pra parar de pensar aceito sugestões....

6.12.10

Corrida

Desde a minha decepção de uma carta que demorou quase 2 meses pra chegar na Alemanha, troquei de central dos correios e postei uma carta hoje pra Johlinha. Só pra ver quem chega primeiro. Eu ou ela. Queria até fazer surpresa, mas quero criar um clima. Que nem o que eu tô sentindo. 20 dias. E já me sinto praticamente por conta de arrumar minha mala e providenciar mil e uma coisas pra viagem.

3.12.10

Finito

Acabou que, por fim, nos tornamos tudo o que esforçamos no início para não acontecer. Somos menos.